A Volta de Muito Perto... (Poesia)

Uma fada veio de longe com novidade
Um perverso animal estava perdido de ansiedade
Um amor brilhou no céu, na lua em sua claridade
Um pavor deixou o mundo em perplexidade
Mas o quê?
Mas onde?
Mas como?
Mas quantos?
Não sei... Só sei que foi em Santos!

Gato Laranja Madrugando (22/04/2008)

Segundas Primeiras Intenções (Poesia)

Gato é um bicho interesseiro
gosta de carinho amor
ração e travesseiro
o Gato Laranja não é o ultimo
e não vai ser o primeiro

o que ele procura em você
é um amor verdadeiro
coisa que o tempo inteiro
fica pra depois dessa maré
dessa porra de amores sem fé

não quero ser o último
dessa fila em que o penúltimo
ainda existe em sua vida
mas ainda tem tempo
e o mesmo fecha essa ferida

amigos de verdade
se apaixonam com o vento
e correndo ainda falta sempre
uma forma de dizer o que eu disse
antes de ter sentido quem você é
e era e sem saber pra quê

sofrendo ainda, amo você
meu doce futuro querer

Gato Laranja para Sammy (13-05-08)

O Amanhã Depois do Fim (letra e música: Gato Laranja)

Liga o tempo que passou sem você.
Foi ontem mas demorou a correr.
Perdi a direção até me perder.
Lutei contra os dias, pesadelos à noite.

Liga o tempo que passou sem nós dois.
Desejamos à sós, mas sempre depois.
Corri pra você e nossa vida se pôs.
Lutei contra tudo e todos e nas costas açoite.

Hoje somos fortes, felizes!
E insônia pra toda vida...
Mas eu pergunto cadê as matizes,
dos nossos diários sorrisos minha querida?

Liga a fome que passei dia-a-dia.
No fundo no fundo, o que mais doía.
Era sua falta e minha cama vazia,
minha boca e sorriso, era você que faltava em mim

Se liga o amanhã na alma perdida.
Já não sinto nada e não dói a ferida.
Ontem te amo e te amo ainda.
Eu quis e tenho você, assim eu dizia o fim.

Os Filhos e as Anas (Poesia)

Como a vida é louca
Como a vida é pouca
Os bebês são grandes
São gente grande

As Anas continuam
As Anas sobrevivem
Elas sempre são Aninhas
Marias, doidas, luta sem fim
Doces e menininhas

Coisas do Tempo e sua ira
Coisas do Tempo e uma sina
Um dia lá atrás sonhei
Pensei, minha Ana Maria terei

Ela é mais uma Aninha
Ela também tem uma carinha
A infância me fez admirar bondades
Coisas que passaram no caminhar
Dessa vida de Anas, Marias e saudades

Gato Laranja para uma amiga de infância (26-04-2008)

Paciência (letra e música: Gato Laranja)

Corro ao seu lado mas não sei o que
vou fazer todo dia no seu querer.
Ouço sua voz dizendo calma dentro de ti
pedindo minha alma eu tento mas não tem
pra onde fugir do querer...

Meu coração quer dizer que sim e a ciência
da paciência me engole como alimento
da dor planejada desta corrida constante
contigo em que o castigo é
você distante de mim, de mim...

Eu te amo mas não vou agüentar
Eu te amo mas não vou desistir
Eu te amo e não vou agüentar
me calar sem ter pra onde fugir

Eu te amo mas não vou agüentar
Eu te amo mas não vou desistir
Eu te amo e não vou agüentar
me calar sem ter pra onde fugir
com você, com você

Olhando em seus olhos sentindo sua alma.
Ouvindo sua voz com toda calma do mundo.
Em nem um segundo me afasto de ti
pois não resisto ao castigo da contemplação
do teu ser teu sorriso mentindo não querer...

Meu coração quer dizer que sim e a ciência
da paciência me engole como alimento
da dor planejada desta corrida constante
contigo em que o castigo é
você distante de mim, de mim...

Eu te amo mas não vou agüentar.
Eu te amo mas não vou desistir.
Eu te amo e não vou agüentar
me calar sem ter pra onde fugir
com você, com você!

Eu te amo mas não vou agüentar.
Eu te amo mas não vou desistir.
Eu te amo e não vou agüentar
me calar sem ter pra onde fugir
com você, com você!

A Raiva e o Tédio (uma história que pode ser a sua)

Uma vez esse gato aqui que voz fala teve uma visão, olhou pela primeira vez no espelho, um espelho quebrado que estava ao lado de uma lata de lixo, e nesta visão pude me entender. Mas como ainda sou um animal irracional só pude entender esta visão quando em minhas voltas por aí encontrei numa praia, sentado numa pedra Samuca, um rapaz comum logo de cara, mas que estava sofrendo de amor. Eu parei, olhei para ele e perguntei o que lhe afligia. Foi aí que ele contou a mim sua história de vida, decepção e amor. Vi-me nele.
Samuca sempre foi um cara meio louco, diziam até que a loucura era coisa de suas atitudes inconseqüentes, suas afinidades com pessoas e coisas ilícitas, seu jeito despachado e ao mesmo tempo educado de ser brincalhão e seu exibicionismo incontido.
Nunca houve uma pessoa que não gostasse dele à primeira vista, mas o problema de suas amizades era sempre a convivência, pois ser um cara bacana e educado o tempo todo sempre cansava as pessoas no dia-a-dia de proximidades. As mulheres, então, não queriam nada com ele, pois se tem uma coisa que eu não entendo dos humanos é aquele ditado que diz que as mulheres preferem os maus e não os bons. Isto é fato.
O tempo foi passando e Samuca foi ficando mais velho, amadurecendo e com essas mudanças comuns no ser humano, ele se tornou uma pessoa mais comedida em seus vícios e atitudes inconseqüentes, parou de beber, deu mais ênfase ao trato educado que sempre tivera com as pessoas e se tornou, ainda que exibicionista, um grande amigo. Mas entenda que sua vida sentimental só piorava, pois se antes tinha atitudes que o deixavam com uma impressão às outras pessoas de que era da pá virada (o que deixava muitas mulheres a fim dele), agora comedido, se sentia e ficava mais sozinho, pois se tornara o bonzinho da turma, o amigo.
E essa amizade se refletia cada vez mais entre ele e as mulheres, ele compreendia as mulheres como nunca conseguira antes, juntava agora mais amigas do que pessoas em sua agenda de transas de quintas-feiras chuvosas e sem compromisso. Namorada então, virou coisa rara em sua vida, pois sempre que gostava de alguém para dar início a um relacionamento, as mulheres fugiam dele, com medo de ter um cara muito bonzinho ao seu lado e de perderem um bom amigo, amigo de verdade.
Tudo um dia virou sua vida de ponta cabeça de verdade quando ele conheceu Amaranta, uma menina doce e ao mesmo tempo louca em suas atitudes de mulher solteira. Logo que se conheceram pessoalmente, essa menina de nome de personagem de Gabriel Garcia Márquez, rapidamente mostrou quem era, e mostrou com isso um gênio difícil e imaturo, um pouco egoísta e materialista. Mas linda, com um bom papo. Ingênua muitas vezes e doce em seu jeito de ser amiga.
Ponto, Samuca se apaixonou por ela. E foi uma paixão daquelas de virar os olhos. Ele sonhava com ela, pensava nela o dia todo. Escrevia músicas e poesias para ela e para seu nome literal e diferente. Samuca só sofria com tudo isso, pois ao mesmo tempo em que sua amizade com Amaranta se firmava e virava uma amizade sólida, ele se apaixonava mais e mais por aquela menina de dez anos a menos que ele. E essa paixão não correspondida o matava por dentro, pois encontrara o amor numa forte e sólida amizade. E transpor esse muro era coisa difícil para ele, coisa que seu jeito de bonzinho e educado tornava surreal.
Ela sempre mostrava em poucas palavras e gestos que esse muro imaginário era mesmo intransponível, pois uma amizade era coisa muito valorizada por ela, e não havia porque mudar isso entre eles. Isto o assassinava por dentro, mas ele seguia em seu amor, sua amizade e em seu silencio não muito silente a respeito do que sentia por ela.
Amaranta um dia deixou bem claro, com uma atitude perante Samuca que entre eles era só amizade, no dia em que saíram juntos para uma festa, dia este em que Samuca se preparou em frente ao espelho para ela e ela a certa altura da noite o deixou sozinho e beijou outro cara, para se divertir.
Neste dia Samuca entendeu que perdera algo em si mesmo e resolveu seguir os conselhos sobre amizade que Amaranta sempre lhe dava. Fingiu que nada doía e continuou sua caminhada de amor e amizade em silêncio.
Eu ouvindo toda esta historia de amor e sofrimento, fui pego de surpresa com uma pergunta de Samuca. Pois tal noite fora a noite anterior àquele nosso encontro na praia.
- O que fazer, meu amigo Gato Laranja? Como posso continuar vendo ela todos os dias como seu amigo se a amo de verdade? Fora o fato de eu ontem ter perdido toda a confiança que tinha nela como um amor futuro em minha vida, não em sua amizade. Mas não conseguiria estando ao seu lado passionalmente e confiar nela. Em sua fidelidade. O que fazer?
Foi aí que eu, do alto de meus conhecimentos, respondi sinceramente:
- Também não conheço as mulheres, assim como você!
Gato Laranja
21/05/2008

Ana Lee e a Liberdade - Um vôo rasante. (parte 2)

Quando eu de cima de meu muro solitário vi aquele anjo voando em direção ao sol. E, como disse antes, aquela visão de um anjo de asas bem brancas voando com asas douradas pelo sol daquela manhã tão linda, aquilo me deixou extremamente feliz. Mas algo em meu espírito felino me avisava da paixão pela luz sem conhecê-la que ela enfrentaria. E foi um das primeiras vezes que este Gato Laranja aqui miou para o sol, observando aquelas asas de liberdade sumirem no horizonte em busca da felicidade. Fiquei ali parado contemplando durante vários minutos a cena inesquecível daquele vôo até que ela desapareceu de minha vista no infinito do céu alaranjado pelo sol refletindo do mar e de minha imaginação.
Havia uma certeza em mim, certeza de gato, de que ela iria embora para sempre. Pois foi tudo o que sempre ela sonhou, sumir de sua casa, ir embora. E ela teria muito ainda o que ver e viver em sua nova vida.
E minha certeza vinha depois de muitas conversas com ela sobre a liberdade e a poesia que essa palavra carrega em si mesma. Jamais pensei que Ana Lee voltasse para a o chão. Tamanha a vontade que ela tinha de ser livre tamanha a vontade que ela tinha de experimentar o mundo por seus próprios meios e olhos sinceros de menina doce.
Os dias se passaram e eu continuei minha vida de gato de telhado em telhado, de muro em muro. Mas algo em mim havia mudado também com aquela visão, pois eu sempre que podia passava no muro daquela casa e olhava aquele quarto vazio, a cama desarrumada. E meus ouvidos felinos ouviam um chorar angustiante de uma mãe lá dentro. Este chorar era como que o chorar de Verônica com um lenço ensangüentado na mão vendo seu Senhor passando pela dor da morte. Mas aquilo não era a única coisa que me doía. Pois mesmo feliz de saber que Ana Lee estava livre tinha algo em mim que havia se partido. Algo em mim que ficou faltando ou que foi levado com aquele anjo. Foi a primeira vez que senti que eu também tinha coração. E que estava eu, um gato vira-latas, apaixonado por um anjo.
Pois bem, o tempo passou e uma semana parecia um mês. Minha vida de gato seguia até tranqüila. Mas sempre eu perambulava pelos arredores da casa dela e via a mesma cena da cama ainda desfeita e o mesmo choro sofrido vindo lá de dentro. Partia-me a alma aquele choro daquela megera mãe.
Até que um dia entrei sorrateiramente pela janela e andei pelo quarto de outrora dores insuportáveis de uma menina presa e agora abandonado por uma anja livre. Vi discos de rock espalhados pelo chão. Meu instinto fez com que eu me aproximasse de um guarda roupas que na porta jazia uma camiseta preta de uma banda de dos anos noventa, uma banda da qual ela gostava muito. Encontrei no chão seu amuleto em forma de coração cor-de-rosa jogado embaixo da cama e guardei comigo.
E quanto mais eu me aproximava da porta do quarto mais aquele pranto de uma mãe desesperada se fazia presente em mim, mais seu volume e intensidade de sofrimento me compadeciam daquela mulher. Antes ignorante e carcereira de uma menina e agora com saudades e medo pela filha anja que voara pra longe, livre.
Senti medo que ela notasse minha presença em sua casa e fugi pela mesma janela que entrei. Ao subir no muro da casa ouvi uma voz doce, uma voz celestial e feliz me chamando. E quando olhei para cima em direção ao telhado da casa lá estava ela, Ana Lee com suas asas de penas brancas. Ela sorria muito, um sorriso de vitória e cansaço que estava praticamente escrito em seu rosto e seu olhar.
Pulei para cima do telhado o mais rápido que pude ao encontro dela. Ela me pegou no colo e me abraçou forte, minhas unhas e meu rabo laranja tigrado se arrepiaram.
- Senti sua falta meu gatinho... – me disse com uma ternura que na época de sua dor eu nunca havia notado em sua voz
- Eu senti a sua também.
- Mas meu sentimento é confuso, pois nunca pensei em querer mais vir ao chão, de voltar a essa casa.
Essas palavras dela me entorpeceram demais, vi que ela estava com saudades, saudades de mim e isso era bom. Mas até que ponto um anjo tem saudade de um gato vira-lata? Ainda mais depois de tanto querer voar e agora conseguir verdadeiramente.
- Minhas saudades de você Ana Lee só me puseram uma realidade na cara a qual eu sempre fingi não ser do meu feitio felino. Eu te amo e não consigo entender como pude me apaixonar por uma humana e que agora virou anjo.
Ela ouviu isso de minha boca com perplexidade igual a minha quando notei que falara tal coisa assim, desse jeito franco, direto e sincero, sem esperar. Uma atitude de um inconseqüente e de um animal irracional que sou , afinal eu sou um gato!
- Você me surpreendeu com isso meu gatinho, mas...
O suspiro que ela deu antes de prosseguir durou mais ou menos dois segundos, mas para mim soaram como a eternidade de um amor não correspondido, à medida de uma carta que se espera e se sabe que nunca chegará.
-... Mas eu também descobri que não consigo viver longe de você, lá no mundo eu vivi tanta coisa, encontrei tantos anjos como eu, voávamos em névoas desconhecidas e em brumas de amor. Bebi do néctar dos deuses, mas ficava o tempo todo angustiada, sentindo que minha liberdade não era tudo aquilo que sonhei, sentindo que fantasiei muito em minha mente, mas ali não era meu mundo. Fiz amigos diferentes dos humanos comuns. Amigos que tinham a liberdade que eu conquistei. Mas na hora de dormir aquela alegria se transformava em tristeza e saudade. Saudade de nossas noites de lua cheia sobre o muro, você me ouvindo e entendendo a minha dor.
No que ela disse a palavra dor, senti que algo havia voltado junto com ela daquela viagem, e não era só a saudade que ela sentia de mim e que estavam embutidas também naquelas palavras uma saudade de sua mãe. Senti que era algo de que eu já conheci na vida. E na própria Ana Lee.
- Sua mãe chora sem parar. Desde o dia em que foi embora ela nunca mais entrou em seu quarto e deixou tudo como estava no dia de sua partida – eu precisava dizer isso a ela, mesmo que ela não quisesse ouvir, ou que em seu rosto se demonstrasse que ela já sabia disso. O que para mim representava que ela também havia ouvido aquele pranto mesmo estando longe.
- Meu gatinho, você guarda dois segredos com você?
- Sim.
- Um deles é que eu te amo também. Mas ainda ninguém deve saber disso e outro é que minha dor... minha dor saiu de minhas costas e agora está em meu peito, aqui dentro... – e apontava o coração com suas mãos sempre lindas, mas com um sorriso sumido de seus lábios naquele momento.
Aquela menina que vi muitas vezes chorar transformara-se numa linda mulher em minha frente. Tinha inconscientemente virado adulta, não sabia, mas sentia isso dentro dela. E eu sorri, com certo pesar, pois assistir alguém virar adulto em sua frente não é tão magnífico como ver uma menina se transformar em anjo.
Eu sem pensar muito a beijei sorrateiramente com tamanha intensidade e desejo que no momento em que a beijava, meus pelos sumiram, meu rabo desapareceu e minhas unhas e dentes afiados se transformaram. E ainda a beijando me vi na forma humana. Me senti na forma humana. Ela, que já não tocava mais no corpo de um gato neste beijo longo e duradouro, estremeceu com minha transformação em humano, mas me agarrou com mais força ainda em direção à sua boca. Nosso beijo durou treze minutos, segundo a Lua me contou depois, numa noite.
- Largue a minha filha seu canalha!!!
E ao olharmos para o chão, sem que nossos lábios se separassem, avistamos o pai dela furioso lá em baixo, subindo já por uma escada vindo em nossa direção. E no momento em que nosso beijo foi interrompido me transformei em gato novamente, num passe de mágica. O que deixou o homem perplexo diante daquela cena de transformação, e transformado em gato novamente de uma maneira felina e instintiva corri muito, pulei de telhado em telhado olhando para trás e vendo a cena dela tendo suas asas amarradas com uma corda pelo seu pai enquanto seus olhos se transformavam em rios de sofrimento novamente. Como antes de terem nascido suas asas.
Jurei naquele instante voltar para salvá-la de lá enquanto corria e sentia meu coração de gato pela primeira vez em anos de sete vidas amando de verdade. Ela me chamava aos prantos quando olhei para trás pela última vez e miei bem alto para que ela ouvisse que eu também a amava e nunca a abandonaria.




GATO LARANJA
01/04/2008